22 de setembro de 2010

Morrer lentamente

"Morre lentamente quem não encontra graça em si mesmo"

Morre lentamente...
Quem não viaja, quem não lê, quem não ouve música,
Quem destrói o seu amor próprio, quem não se deixa ajudar.
 
Morre lentamente...
Quem se transforma escravo do hábito, repetindo todos os dias o mesmo trajeto;
Quem não muda as marcas no supermercado,
não arrisca vestir uma cor nova, não conversa com que não conhece.


Morre lentamente...

Quem faz da televisão seu guru.
Quem abandona um projeto antes de iniciá-lo,
 

Morre lentamente...
Quem evita uma paixão, quem prefere o "preto no branco" e os "pingos nos is" a um turbilhão de emoções indomáveis,
justamente as que resgatam brilho nos olhos, sorrisos e soluços, coração aos tropeços, sentimentos.
 

Morre lentamente...
Quem não vira a mesa quando está infeliz no trabalho;
Quem não arrisca o certo pelo incerto atrás de um sonho;
Quem não se permite, uma vez na vida, ouvir conselhos sensatos.
 

Morre lentamente...
Quem passa os dias queixando-se da má sorte ou da chuva incessante.
Quem nunca pergunta sobre um assunto que desconhece
e nem responde quando lhe perguntam sobre algo que sabe.  


Evitemos a morte em doses suaves, recordando sempre que estar vivo exige um esforço muito maior que o simples fato de respirar.
Pablo Neruda

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